sábado, 18 de setembro de 2010

Se as coisas fossem sempre tão fáceis de explicar, o mundo era a preto e branco!

                 O mundo é a preto e branco, mas ninguém sabe.




Todos vêm cores onde há apenas milhões de tons de cinzento.
Cinzento onde há amarelo,
cinzento onde há vermelho,
cinzento onde há azul.

O mundo é um quarto escuro, mas todos vêm luz. Mesmo os que não vêm.
Todos vêm luz onde ela não há.

E todos tocam nas pedras. E há choques. E todos insistem em continuar a tocar nas malditas pedras. E não aprendem.

E nunca aprendem.

E há gritos e choros. Perseguem-nos os gemidos ténues dos que não morreram. Dá-se-lhes com um martelo na cabeça mas continuam vivos e com os miolos de fora. E gritam, revoltando-se sempre certos de que são bons.


E o sangue é vermelho. O sangue é sempre vermelho. E quente.

E o morcego, que dorme ao contrário, espreita o que se passa, por debaixo da asa. Mas não vê nada. Porque os morcegos são como as pessoas. Não vêm nada. Mas pensam que sim.

Ainda bem que pensam que sim.

Alguém perguntou se sem relógios continuaria a haver tempo, mataram-se os relógios e a humanidade ficou eternamente parada nas onze e meia. E foi trágico, quando todos morreram de fome, parados a meia hora da hora de almoço.

E quando entraram no Céu do deus morto, todos afirmaram que eram bons.
E ganharam um chupa-chupa.

1 comentário:

  1. Há uma gota de agressividade e ironia neste texto. Estás realmente chateada com a forma como as pessoas pensam, nota-se. :)
    As pessoas, de facto, interpretam as coisas materiais com os seus pensamentos e sentimentos, de tal forma que apenas as pessoas conseguem colorir o mundo de forma tão intensa.
    As pessoas, de facto, precisam de desprender-se de horários e rotinas, precisam de viver a vida de forma a que lhes apraza.
    As pessoas, de facto, iludem-se.
    Mais do que chateada com o pensamento das pessoas em geral, achei que estavas chateada com algo mais pessoal, mais íntimo. Talvez até contigo própria.

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